Abaixo transcrição do post que enviei ao fórum do portal do vale-tudo em relação ao fechamento das chaves
“Quero deixar aqui minha opinião registrada, pois sou contra esta ridícula campanha levantada pela mídia oficial do establishment. O fechamento de chaves pode sim ser discutido, mas a decisão final deve ser dos próprios atletas, é ridículo a federação querer impor aos atletas profissionalismo se eles mesmo dizem que o esporte é amador, como justificativa para não dar prêmios em dinheiro.
A discussão vai gerar muitas opiniões, contra e a favor, e isto é saudavel, mas para mim é uma cortina de fumaça. Existem coisas muito mais importantes que demandariam mudancas da CBJJ e isto não pode ser discutido pela Gracie Magazine, que lembra o jornal soviético pravda de moscou, pois se presta a versão oficial e jamais irá discutir seriamente a falta de democracia e profissionalismo da cbjj. Misturam-se interesses de empresa privada (gracie barra), orgão oficial (federação) e mídia (revista GM).
Coisas mais sérias que devem ser debatidas por toda a comunidade do jiu jitsu, na minha opinião:
1. profissionalização da categoria faixa preta adulto (com prêmios em dinheiro e limite de um atleta por equipe nestas categorias, assim se fariam eliminatórias internas e se evitaria o fechamento das chaves já que dizem isto afetar a transmissão. Um percentual do valor recebido deveria ser repassado aos atletas que fazem o espetáculo);
2. Melhora das regras (acho que deve ser revisto o absurdo que são as vantagens, o que seria do futebol se bola na trave ou pra escanteio fosse meio gol? ja pensaram nisto? as vantagens foram criadas para facilitar a vida do juiz mas tornaram a amarração muito maior)
3. Retorno do mundial ao Rio, centro do jiu jitsu, ou um calendário itinerante como outros esportes, mas todo ano na Califa é um absurdo!
4. Transmissão ao vivo e gratuita por stream na internet;
5. Câmeras filmando as finais da faixa preta para poder revisar o resultado como propôs o Grande Mestre Carlson Gracie;
Estas são as minhas sugestões, tópicos muito importantes que deveriam estar sendo levantados pela mídia, ao inves de jogar sobre os atletas a responsabilidade pelo espetáculo, deveriam sim criar uma estrutura mais profissional ao invés desta exploração absurda de eventos com inscrições altissimas e como premiação, medalhas e camisetas;
Ah, esqueci, o faixa preta adulto absoluto campeão brasileiro ganha uma passagem de ida e volta pra califa, e o segundo ganha um parabéns… Parece piada, queria que abrissem as contas de algum evento, mas não precisa, basta colocar na ponta do lápis, o ultimo europeu cobrou 90 euros por atleta, foram mil e cem atletas, teve patrocinadores cobrindo parte dos custos, e ganhou-se dinheiro ate com comissão dos hoteis indicados…
Entao para mim, esta campanha promovida pelo sr. Luca Atalla, me parece uma cortina de fumaca. Mas já que levantaram a bola, vou meter minha colher tambem.
Eu sou a favor dos atletas decidirem o que acharem melhor. Aqueles que alegam que é só um rola, deveriam entender que dois parceiros de treinamento rolam juntos quase todo dia, e passam a saber o jogo do outro como ninguém, então, não só estarão entregando o ouro ao bandido como falava com razão o saudoso Grande Mestre Helio Gracie, mas surgirá uma rivalidade entre pessoas que treinam juntos e nao se ajudarão como fazem hoje em dia. O JJ é um esporte muito técnico, com muitas variações táticas e fica muito mais difícil lutar contra um parceiro de treinos do que em uma luta de boxe. O caso aqui não é pelo fato de ter ou não porrada, mas sim de evitar o fortalecimento de adversários externos, no JJ se luta individualmente mas não se vai pra frente senão com a ajuda dos companheiros de equipe, e para isso a uniao é fundamental.
Altamente lúcida e coerente foi a posição de um dos lideres da Gracie Barra. Em carta aberta, Flavio Almeida expressa um ponto de vista que eu assino embaixo, e ele mesmo afirma que existem coisas mais importantes a serem debatidas.
Já o atleta Felipe Costa, ao propor disputa de terceiros, propõe o confronto entre os dois perdedores das semifinais para haver mais opções. Esquece-se ele que o objetivo do atleta é a vitoria e o ouro, disputar bronze por uma medalha, aposto que até atletas de equipes diferentes possam vir a se recusar. Judô, Luta e Boxe tem dois terceiros lugares nas Olimpíadas.
A realização de repescagem olímpica como ocorre no Judô e na Luta seria algo interessante, pois daria a todos aqueles que perderam para os finalistas a chance de disputarem o bronze, mas isto toma tempo e duvido que a CBJJ tenha qualquer interesse em promover tal idéia.
Como professor e líder da minha equipe, deixo meus atletas a vontade para fechar ou lutar entre si.
Como atleta, fechei o peso em duas ocasioes. Na faixa branca, com um cara que treinava comigo as vezes, eu me senti frustrado ao perder no par ou ímpar depois de obter nos tatames minha vitória na luta anterior, mas não reclamei. Já na faixa marrom, a história foi outra. Para o mundial de 1997, eu treinei diariamente com meu companheiro de peso Pedro Duarte, ambos vencemos três lutas e já sabíamos que iríamos fechar a categoria, ja haviamos lutado um contra o outro duas vezes na faixa azul quando lutavamos por equipes diferentes, e desta vez nem teve par ou ímpar, um de nós ficou com a medalha mas o outro subiu no pódio e ficou com o título. No final das contas só um sera listado oficialmente como campeão mas isso para nós dois jamais importou, sei que ele foi fundamental para minha vitória, e ele deve pensar o mesmo.”
Eu criei uma pesquisa, leia o post abaixo e vote, deixando sua opinião. Aqueles que tiverem sugestões não incluídas nela, por favor enviem comentários. Comentários em desacordo com o tema ou ofensivos não serão publicados.
